O Sítio Arqueológico Lagoa São Paulo II, situado na Estância Turística de Presidente Epitácio, recebeu a visita, na sexta-feira, (08), de indígenas da terra Vanuíre, território em Arco-Íris/SP, a convite das turmas de Geografia e Arquitetura e Urbanismo da Unesp-Presidente Prudente como parte dos estudos do PAEX (Programa de Extensão) da universidade que visa o desenvolvimento de um projeto voltado à temática de patrimônio público.
Guiados pelo geógrafo da prefeitura de Presidente Epitácio, Jean Ítalo de Araújo Cabrera, e sob a orientação da professora e arqueóloga da FCT Unesp, Neide Barrocá Faccio, e do professor Hélio Hirao, o grupo conheceu alguns pontos de escavação e os indígenas convidados tiveram a oportunidade de contribuir com o projeto que será voltado às urnas funerárias encontradas entre os 25 mil artefatos registrados no Sítio Arqueológico.
O indígena guarani, Awa djerowewedju, (nome não indígena Eliseu Caetano), e a esposa Kitche-rãn, (nome não indígena Sucilene Elis Mello Caetano), do povo Kaingang, estiveram pela primeira vez no local e destacaram o sentimento de conexão ancestral. “Entrar no campo sagrado do nosso povo é muito importante, ver a cerâmica, a argila e o rio, fontes de tanta riqueza produzida pelos nossos antepassados”, disse Sucilene.
“É muito emocionante estar neste local, um sentimento que toca nossa espiritualidade, eu peço licença aos ancestrais para tocar as urnas, fico em silêncio porque é como voltar ao passado. Nosso povo sempre esteve ligado à água, como fonte de riqueza, então saber que em toda essa extensão existem fragmentos da nossa história é muito forte e gratificante saber que está sendo recuperado e preservado”, completa Eliseu.
Presidente Epitácio possui 46 sítios arqueológicos cadastrados nos Laboratórios de Arqueologia da FCT/Unesp, as peças encontradas foram produzidas por grupos agricultores-coletores da tradição tupi-guarani. “O PAEX é um projeto participativo entre universidade e comunidade indígena, por isso a presença de um indígena Guarani nesta visita para colaborar com os estudos é muito importante”, disse a professora, Neide Barrocá Faccio.









